PROGRAMAÇÃO                            

I CURSO DE HERPETOLOGIA

DE CAMPO NA AMAZÔNIA

Ministrante: Dr. Paulo Sérgio Bernarde

Carga Horária: 80 horas.

Local: Alto Juruá (Acre): Cruzeiro do Sul, Parque Nacional da Serra do Divisor, Floresta do Rio Croa e Floresta do Baixo Rio Moa.

Data: 05 a 13 de Dezembro de 2017.

Realização: Instituto Neotropical - Pesquisa e Conservação

                     

"Muitas oportunidades para ver e fotografar os anfíbios e répteis mais bonitos e espetaculares da Amazônia. Uma viagem maravilhosa de belas paisagens, magnífica vida selvagem, novas amizades e contatos, comidas regionais, experiências incríveis e conhecimento novo."

          

O Curso será ministrado pelo Herpetólogo Paulo Bernarde, que desde 2001 promove cursos de Herpetologia na Amazônia (AC e RO).  Com experiência de mais de 25 anos em florestas amazônicas, o Prof. Paulo irá conduzi-lo nesta expedição.

PROGRAMAÇÃO RESUMIDA:

  TER

05/Dez

QUA

 06/Dez

QUI

07/Dez

SEX

08/Dez

SAB

 09/Dez

DOM

 10/Dez

SEG

 11/Dez

TER

12/Dez

QUA

 13/Dez

M Aula teórica Ida PNSD PNSD PNSD PNSD Retorno PNSD Floresta Rio Croa Floresta Rio Croa Confraternização
T Aula teórica Ida PNSD PNSD PNSD PNSD Retorno PNSD Floresta Rio Croa Floresta Rio Croa Confraternização
N Floresta do Rio Moa PNSD PNSD PNSD PNSD Livre Floresta Rio Croa Floresta Rio Croa Encerramento

* Serão realizadas "falas" sobre anfíbios e répteis durante as atividades (Instruções e procura) em campo, enfocando aspectos da Classificação, Bio-ecologia (hábitos alimentares, período de atividade, comportamento reprodutivo, alimentar e de defesa, etc), métodos de estudos e amostragem da herpetofauna, ofidismo, conservação e lendas. PNSD = Parque Nacional da Serra do Divisor.

PROGRAMAÇÃO DETALHADA

DIA 1 (5 de Dezembro - Terça-feira):

    No primeiro dia teremos a apresentação do grupo e da programação do curso, também serão ministradas aulas teóricas sobre a diversidade de anfíbios e répteis do Alto Juruá (Acre), acidentes ofídicos e cuidados no campo.

De noite iremos para a Floresta do Baixo Rio Moa percorrer trilha onde teremos como espécie alvo a Jararaca-verde ou Papagaia (Bothrops bilineatus). Nesta floresta a Bothrops bilineatus é uma das serpentes mais abundante e mais encontrada durante a procura noturna. Veja aqui um artigo sobre essa serpente e a Jararaca da Amazônia (Bothrops atrox) resultante de um estudo nesta localidade: Uso do hábitat, atividade e comportamento de Bothriopsis bilineatus e de Bothrops atrox (Serpentes: Viperidae) na floresta do Rio Moa, Acre, Brasil.

 

Jararaca-verde ou Papagaia (Bothrops bilineatus).

 

Aluna da Disciplina de Doutorado sobre Anfíbios e Répteis observando uma Jararaca-verde ou Papagaia (Bothrops bilineatus) durante aula prática na Floresta do Baixo Rio Moa (AC).

O raro anfíbio Hemiphractus helioi. No Brasil esta espécie apresenta registro apenas para a Floresta do Baixo Rio Moa e para o Parque Nacional da Serra do Divisor. Veja a publicação sobre esse registro aqui!

    Esta localidade está localizada a 20 Km da cidade de Cruzeiro do Sul por uma rodovia de asfalto. Nela já foram registradas 103 espécies de anfíbios e répteis. Veja aqui o artigo: Herpetofauna da floresta do baixo rio Moa em Cruzeiro do Sul, Acre – Brasil.

 

DIA 2 (6 de Dezembro - Quarta-feira):

    No segundo dia teremos que acordar cedo lá pelas 4 horas da madrugada para nos deslocarmos até o Porto do Japiim (Um braço do Rio Moa) em Mâncio Lima. O Japiim neste período é labirinto de canais que são igarapés que com a cheia tornam-se atalhos para navegação.

    Japiim é também o nome de uma ave muito comum nesta região, o Cacicus cela, que formam colônias com seus ninhos.

Japiim (Cacicus cela) e seus ninhos.

    Sairemos do porto na cidade de Mâncio Lima com destino ao Parque Nacional da Serra do Divisor em embarcações com previsão de 10 horas de viagem e chegada prevista para às 17:00 horas. Neste trajeto é possível avistar alguns primatas e aves, com sorte algum quelônio (Mais observáveis no período da seca!).

    Na metade da viagem passamos pela Comunidade São Salvador, onde tem uma base do 61º BIS (Batalhão de Infantaria e Selva), responsável pela fiscalização nesta região de fronteira com o Peru, contribuindo para o combate do comércio ilegal de caça e de madeira e outras atividades criminosas como o tráfico de drogas. Logo mais passamos pela Aldeia dos Nukini e então entramos na área do Parque Nacional da Serra do Divisor, mas calma, ainda tem muita água até o "pé da serra" onde iremos atracar.

Parque Nacional da Serra do Divisor.

DIA 3 (7 de Dezembro - Quinta-feira):

    Pela manhã iremos caminhar 5 quilômetros pela trilha da Formosa e teremos como espécies alvo os dendrobatídeos, em especial o Ranitomeya cyanovittata, espécie no Brasil conhecida apenas para o Parque Nacional da Serra do Divisor. Nove espécies de dendrobatídeos são conhecidas para o Alto Juruá. Veja aqui informações sobre esses anfíbios: DENDROBATÍDEOS.

Dendrobatídeo Ranitomeya cyanovittata. Esta espécie no Brasil é conhecida apenas no Parque Nacional da Serra do Divisor.

 

Dendrobatídeo Ranitomeya cyanovittata é observado sobre a vegetação, inclusive sobre esta espécie de bromélia.

 

Dendrobatídeo Ameerega trivittata transportando girinos no dorso.

    No período da tarde descansaremos após o almoço e iremos nos preparar para antes do entardecer nos embrenharmos novamente na trilha para realizar a procura noturna.

    Nesta trilha já foi registrada a rara Jararaca-nariguda (Bothrocophias hyoprora) e a Salamandra (Bolitoglossa sp.).

Jararaca-nariguda (Bothrocophias hyoprora) registrada no Parque Nacional da Serra do Divisor. Veja aqui a publicação sobre esse registro.

Salamandra (Bolitoglossa sp.) registrada no Parque Nacional da Serra do Divisor.

 

DIA 4 (8 de Dezembro - Sexta-feira):

    Pela manhã retornaremos na trilha da Formosa em busca de dendrobatídeos e de outras espécies.

Dendrobatídeo Ameerega macero, outra espécie que ocorre no Parque Nacional da Serra do Divisor.

    Após o almoço iremos no Buraco da Central tomar um banho para se refrescar e onde já foi observado o Camaleão (Iguana iguana).

Lagartos Iguana iguana (Juvemil e adulto), conhecido popularmente na Amazônia como Camaleão. Um lagarto que pode ser observado nas margens dos rios. Fique de olhos atentos para vê-los durante a navegação.

    O Buraco da Central foi aberto pela Petrobrás com o objetivo de explorar petróleo, que não foi encontrado. Ao invés disso, o buraco perfurado com centenas de metro de profundidade, tornou-se uma atração turística, de onde jorra uma água morna e sulfurosa (rica em enxofre) que formou uma cachoeira. A pressão que a água jorra é tão grande que não tem como submergimos no buraco e ficamos flutuando o tempo todo nele.

Buraco da Central no Parque Nacional da Serra do Divisor.

 

Turma de uma edição do Curso de Herpetologia no Alto Juruá de 2013 no Buraco da Central no Parque Nacional da Serra do Divisor.

 

    No entardecer iremos para a Trilha da Formosa aguardar o anoitecer para fazermos mais uma procura noturna. O participante tem que ter em mente que uma mesma trilha "em cada noite tem uma história diferente para nos contar!". O método de Procura Limitada por Tempo que adotamos consiste em percorrer vagarosamente as trilhas dentro da floresta, perfazendo aproximadamente 400 metros em três horas. Com essa técnica, a chance de passar algum animal sem ser visto diminui e seremos mais de 20 pares de olhos procurando, o que aumenta consideravelmente encontrarmos os animais.

 

DIA 5 (9 de Dezembro - Sábado):

    Pela manhã iremos percorrer a Trilha da Cachoeira do Ar Condicionado, uma água gelada encontraremos no final dela para podermos tomarmos um refrescante banho. De olhos sempre atentos, poderemos encontrar no igarapé que está presente ao longo da trilha, o lagarto gimnoftalmídeo semi-aquático Potamites juruazensis.   Este pequeno lagarto foi descrito pela Teresa Cristina Avila-Pires e por Laurie Vitt em 1998 e o nome "juruazensis" foi em homenagem ao Rio Juruá. Esses grandes herpetólogos estiveram também pelo Alto Juruá e não foram os únicos...

Lagarto gimnoftalmídeo semi-aquático Potamites juruazensis, espécie encontrada nos igarapés.

Dendropsophus timbeba descrita por Márcio Martins e Adão Cardoso em 1987. Esses grandes herpetólogos também realizaram expedições para o Acre, inclusive para o Alto Juruá. Neste artigo eles descreveram três novas espécies de hilídeos para o Acre.

    Após o almoço, o participante poderá escolher entre um descanso para procura noturna ou então ir no Mirante do Morro. É uma subida meio difícil, relevo muito íngreme, dependendo do preparo físico de quem se dispõe a se aventurar pode levar uma hora ou até mais de caminhada. Lá em cima é uma visão incrível do Parque Nacional da Serra do Divisor. Esta unidade de conservação aprenta 843 Mil Hectares ocupando o território de cinco municípios acreanos: Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Rodrigues Alves. No mirante tem a possibilidade de avistar a Choca-do-Acre (Thamnophilus divisorius), espécie de pássaro endêmica do Parque Nacional da Serra do Divisor, onde é encontrado em elevações acima de 500 m de altitude.

    No entardecer iremos para a Trilha da Formosa, para os que apreciam a observação de aves, na entrada da trilha podemos eventualmente ver Ciganas (Opisthocomus hoazin).

Cigana (Opisthocomus hoazin), uma peculiar espécie de ave, herbívora e alimenta-se principalmente de folhas e é observada nas margens dos rios. Também conhecida como Jacu-cigano, a Cigana é a única ave que faz fermentação no trato digestivo, convertendo a celulose das folhas que ingere em açúcares. Seus filhotes possuem garras nas asas que utilizam para escalar as árvores quando são pequenos. É também a única espécie vivente da Ordem Opisthocomiformes.

 

   

Corallus hortulanus, uma das serpentes mais frequentes que são encontradas em atividade durante a procura noturna nas florestas.

 

Cobra-cipó (Philodryas argentea), uma das serpentes mais frequentes que são encontradas repousando sobre a vegetação durante a procura noturna nas florestas.

DIA 6 (10 de Dezembro - Domingo):

    Após o café da manhã partiremos descendo o Rio Moa para a cidade. A noite descansaremos para no dia seguinte darmos continuidade ao curso na Floresta do Rio Croa.

 

DIA 7 (11 de Dezembro - Segunda-feira):

    Após o café da manhã partiremos por via terrestre para a Floresta do Rio Croa. Lá seremos conduzidos por canoas até o local onde iremos pernoitar por duas noites.

    Na Floresta do Rio Croa poderemos realizar passeios de canoas para conhecer o rio ou então de caiaque e assim observar a fauna. Quem tiver sorte, poderá ver o lagarto semi-aquático Jacuruxi (Dracaena guianensis).

    Muitos dos moradores que residem na Floresta do Rio Croa utilizam para fins espirituais e religiosos a bebida conhecida como ayahuasca que é preparada a partir do cipó Mariri e da folha da Chacrona.

    O anfíbio Phyllomedusa bicolor, conhecido popularmente na região como Kambô, será a espécie alvo nas procuras noturnas. O veneno desta espécie é utilizado como forma de medicina tradicional. Veja aqui: Kambô (Phyllomedusa bicolor) e a "vacina-do-sapo".

Kambô (Phyllomedusa bicolor), espécie alvo na procura noturna na Floresta do Rio Croa.

 

Jararaca da Amazônia (Bothrops atrox), uma das serpentes mais frequentes que são encontradas em atividade durante a procura noturna nas florestas. Outras que são abundantes e mais prováveis de serem vistas são: Jararaquinha (Dipsas catesbyi), Cobra-cipó (Imantodes cenchoa), Leptodeira annulata e a Buritizeira ou Cobra-de-buriti (Oxyrhopus melanogenys).

 

DIA 8 (12 de Dezembro - Terça-feira):

    No segundo dia na Floresta do Rio Croa continuamos com a procura diurna e noturna e os participantes também poderão realizar passeios de canoas ou de caiaque para apreciarem as paisagens ou para observar a fauna.

Cobra-cipó (Imantodes cenchoa), uma das serpentes mais frequentes que são encontradas em atividade durante a procura noturna nas florestas.

Dendropsophus sarayacuensis.

 

Phyllomedusa tomopterna.

 

Pipa pipa.

 

Uracentron flaviceps.

 

Erythrolamprus dorsocorallinus.

 

DIA 9 (13 de Dezembro - Quarta-feira):

    Confraternização oficial do grupo com um delicioso churrasco.

 

CONHEÇA UM POUCO MAIS SOBRE A

 HERPETOFAUNA DA REGIÃO DO ALTO JURUÁ!

O participante do Curso de Herpetologia de Campo na Amazônia poderá também ver vários outros animais amazônicos além dos anfíbios e répteis. Muitos animais para serem fotografados, inclusive quem aprecia macrofotografia de invertebrados.
Aqueles que apreciam "birdwatching" poderão ver várias espécies de aves. Poderá acordar mais cedo e percorrer as trilhas nas florestas.

 

 

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