OS ANFÍBIOS (CLASSE AMPHIBIA)

 

Os primeiros anfíbios surgiram no Período Devoniano, na Era Paleozóica, há cerca de 350-400 milhões de anos atrás. Eles apresentam a pele permeável e grande parte das espécies possui uma fase larval aquática (o girino). Por isso, a maioria das espécies está restrita à ambientes aquáticos e úmidos. A Classe dos Anfíbios (Amphibia) é dividida em três ordens: Urodela ou Caudata (salamandras), Gymnophiona (cecílias ou cobras-cegas) e Anura (sapos, rãs e pererecas). O nome popular "cobra-cega" também é aplicado aos répteis anfisbênios e algumas cobras fossoriais (de hábitos subterrâneos).

Ordem Urodela ou Caudata - Salamandra (Bolitoglossa sp.). Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Ordem Gymnophiona - Cobra-cega (Caecilia marcusi). Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Ordem Anura - Rã (Leptodactylus chaquensis). Foto por Paulo S. Bernarde.

 

São mais de 6.771 espécies de anfíbios conhecidas no mundo e ainda existem muitas para serem descritas (serem descobertas, descritas e receberem um nome científico!). No Brasil a Ordem Anura é a mais representativa em número de espécies, com mais de 850 espécies. Em segundo lugar vem a Ordem Gymnophiona (27 espécies), seguida pela Urodela (com pelo menos duas espécies). As poucas espécies de salamandras (Urodela) em nosso país ocorrem na Amazônia.  Uma maior riqueza de salamandras é encontrada na América Central e do Norte e na Europa. Esses três grupos de anfíbios diferem muito na morfologia corporal: Os anuros são relativamente curtos e não apresentam cauda; Os urodelos são alongados e apresentam cauda; Os gimnofionos são bem alongados e não apresentam patas.

 

Todos os anfíbios são carnívoros, entretanto, uma espécie do Rio de janeiro (Xenohyla truncata) (Hylidae), inclui frutinhos em sua dieta. A maioria alimenta-se de artrópodos. O sapo-untanha (Ceratophrys sp.) (Ceratophryidae) alimenta-se também de pequenos vertebrados, principalmente de outros anfíbios anuros. Os girinos alimentam-se de matéria vegetal e alguns são predadores. Enquanto os girinos apresentam respiração branquial, os adultos apresentam respiração pulmonar e cutânea.

 

Sapo-untanha (Ceratophrys cornuta). Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Sapos, pererecas, rãs e jias representam a Ordem Anura e é o grupo mais rico em espécies e também mais conhecido entre nós. Os anuros ocorrem em todos os continentes, exceto na Antártida. As especializações do corpo para o salto é a característica morfológica mais notável destes animais. As patas posteriores são alongadas e os ossos da tíbia e da fíbula estão fundidos. As patas posteriores e os músculos formam um sistema de alavanca, capaz de arremessar o anuro no ar. O íleo é alongado e se estende bastante para frente, e as vértebras posteriores estão fundidas em um bastão sólido, o uróstilo. As patas anteriores fortes e a cintura escapular flexível absorvem o impacto da aterrissagem. Os olhos são grandes e estão localizados bem anteriormente na cabeça, permitindo uma visão binocular. 

 

Ordem Anura - Sapos, rãs e pererecas. Fotos por Paulo S. Bernarde.

 

A diversidade de anuros excede o número de nomes populares que podem ser utilizados para distinguir as diversas formas. No Brasil, as pessoas chamam os leptodactilídeos de rãs, os hilídeos de pererecas e os bufonideos de sapos. Entretanto, existem mais sete famílias de anuros no Brasil e não existem nomes populares disponíveis para todas as espécies. Muitos perguntam: "Qual a diferença entre sapo, rã e perereca?". Os sapos (Gênero Rhinella) (Família Bufonidae) apresentam a pele rugosa, patas relativamente curtas e duas glândulas paratóides (onde se concentra um veneno de ação cardiotóxica) localizadas dorsalmente atrás dos olhos. As pererecas (Gêneros Hypsiboas, Dendropsophus, Scinax, etc.) (Família Hylidae) são adaptadas para uma vida arborícola apresentando a cintura delgada, pele geralmente lisa, discos adesivos nas pontas dos dígitos que permitem esses animais escalarem superfícies verticais. As rãs ou jias (Gênero Leptodactylus) (Família Leptodactylidae) apresentam dedos sem projeções, cintura robusta e pele lisa. 

 

 

O sapo-cururu (Rhinella icterica, R. marina e R. schneideri) costumam se aproximar de noite das luzes de postes e de residências atraídos pela concentração de insetos (exemplo da importância dos anfíbios na natureza por consumirem artrópodos). Animais inofensivos, apesar da crendice que eles podem urinar e cegar uma pessoa, coisa que não vai além do rico imaginário de nosso povo. Contudo, deve-se tomar cuidado para que nenhum cachorro moleste o sapo (para o bem de ambos animais), porque o mesmo pode ser envenenado se morder ou ingerir esse anfíbio. A espécie Rhinella marina foi introduzida na Austrália e lá se tornou uma praga, prejudicando alguns animais da fauna silvestre, como algumas espécies de cobras que ao predarem o sapo-cururu morrem envenenadas. 

Sapo (Rhinella marina). Foto por Paulo S. Bernarde.

 

As pererecas-do-banheiro (Scinax fuscovarius e S. ruber)  são provavelmente os mais famosos hilídeos por invadirem as residências, podendo também gerar alguma gritaria, especialmente por alguns indivíduos do sexo feminino da espécie humana. Mas esses animais são também inofensivos e só estão a procura de abrigo, umidade e de insetos.

Perereca (Scinax ruber). Foto por Paulo S. Bernarde.

 

A  rã-pimenta (Leptodactylus labyrinthicus), a criançada e também adultos no interior do país caçam e alimentam-se desse animal, cuja defesa é liberar uma substância que em contato com os olhos causa uma irritação e nas narinas fazem o incauto espirrar (de onde provém o nome popular rã-pimenta).

Rã-pimenta (Leptodactylus labyrinthicus). Foto por Paulo S. Bernarde.

 

São 22 famílias de Anfíbios no Brasil. Abaixo segue a lista de famílias com fotografias dos representantes de algumas.

 

FAMÍLIAS DE ANFÍBIOS NO BRASIL

ORDEM ANURA

Allophrynidae (1 espécie)

Allophrynidae: Allophryne ruthveni. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Aromobatidae (20 espécies)

Aromobatidae: Allobates femoralis. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Brachycephalidae (43 espécies)

 

Bufonidae (66 espécies)

Bufonidae: Dendrophyniscus minutus. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Bufonidae: Rhaebo guttatus. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Centrolenidae (12 espécies)

Centrolenidae: Hyalinobatrachium munozorum. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Ceratophryidae (5 espécies)

Ceratophryidae: Ceratophrys cornuta. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Craugastoridae (2 espécies) 

 

Cycloramphidae (67 espécies)

Cychloramphidae: Proceratophrys concavitympanum. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Dendrobatidae (20 espécies)

Dendrobatidae: Ameerega picta. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Dendrobatidae: Ranitomeya toraro. Fotos por Paulo S. Bernarde.

 

Eleutherodactylidae (6 espécies)

 

Hemiphractidae (2 espécies)

Hemyphractidae: Hemiphractus helioi. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Hylidae (338 espécies)

Hylodidae (41 espécies)

Leiuperidae (55 espécies)

Leiuperidae: Edalorhina perezi. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Leptodactylidae (73 espécies)

Leptodactylidae: Leptodactylus fuscus. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Microhylidae (43 espécies)

Microhylidae: Elachistocleis helianneae. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Pipidae (5 espécies)

Pipidae: Pipa pipa. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Ranidae (2 espécies)

Ranidae: Lithobates palmipes. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Strabomantidae (41 espécies)

 

ORDEM URODELA ou CAUDATA

Plethodontidae (2 espécies)

Plethodontidae: Bolitoglossa sp. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

ORDEM GYMNOPHIONA

Caeciliidae (26 espécies)

Caeciliidae: Siphonops paulensis. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Rhinatrematidae (1 espécie)

 

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BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

FROST, D.R. 2010. Amphibian species of the world: an online reference. Version 5.5. Eletronic database accessible at http://research.amnh.org/vz/herpetology/amphibia/ American Museum of Natural History, New York, USA (último acesso em 10/10/2011).

POUGH, F. H.; JANIS, C. M. & HEISER, J. H. 2003. A vida dos vertebrados. Atheneu Editora, São Paulo.

SBH. 2010. Brazilian amphibians – List of species. Accessible at http://www.sbherpetologia.org.br. Sociedade Brasileira de Herpetologia. (Último acesso em 7/11/2011).

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