ORDENS DE INSETOS NO BRASIL

    As informações foram obtidas no livro "Insetos do Brasil - Diversidade e Taxonomia. Rafael et al. 2012 (Eds.)" (Veja algumas fotos deste livro!). Os números das espécies apresentados para cada ordem correspondem ao aproximado da riqueza conhecida para o Brasil e também o número esperado de espécies desconhecidas que ocorrem no país e ainda não foram descritas.

    As fotografias apresentadas são de minha autoria (Paulo Bernarde) e as que não tenho foto de representantes coloquei links para fotos de outros autores que estão disponíveis na Internet. Material bibliográfico complementar é fornecido o link para download do pdf.

PROTURA (26 espécies; estimativa de 800)

    Do grego protos = primeiro ou primitivo; oura = cauda. Em alusão à ausência de estrutura especializada (cercos ou paracercos) na extremidade distal do abdômen, cuja presença é considerada primitiva.

    São insetos ametábolos, endognatos, ápteros, a maioria sem pigmentação. Os olhos e antenas estão ausentes, com a perna anterior modificada apresentando função sensorial. Ver figura!

    Tamanho: 0,5 - 2 mm de comprimento.

    São comuns em florestas, ocorrendo na mesofauna do solo e na serapilheira. Os hábitos alimentares são poucos conhecidos, alimentando-se de hifas de fungos, matéria orgânica em decomposição e de pequenos insetos. Ver foto!

COLLEMBOLA (231 espécies; estimativa de 5.000)

    Do grego lolla = adesivo; embolon = êmbolo ou pino. Refere-se ao colóforo, que corresponde a uma projeção ventral do segmento abdominal I, que possibilita o indivíduo aderir ao substrato.

    Nome popular: Eventualmente são chamados de pulga-de-jardim.

    São insetos ametábolos, entognatos, ápteros e terrestres. Possuem o corpo alongado e os olhos compostos e cercos estão ausentes. Ver figura!

    Tamanho: geralmente menores do que 2 mm.

    São importantes na base da cadeia alimentar e apresentam um importante papel na ciclagem dos nutrientes, enriquecendo o solo disponível para sustentação de florestas e lavouras. Ver foto!

DIPLURA (37 espécies; estimativa de 400)

    Do grego diploos = duplo; oura = cauda. Devido à presença de um par de cercos no final do abdômen.

    São insetos ametábolos, entognatos, ápteros, terrestres, com corpo estreito e alongado, maioria sem pigmentação, olhos compostos ausentes e apresentam uma antena longa e moniliforme. Ver figura!

    Tamanho: 1 a 58 mm.

    Habitam preferencialmente o solo, sendo encontrados também em musgos, sobre cascas, pedaços de madeira, sob pedras e no folhiço. Alimentam-se principalmente de vegetais e micélios, alguns são predadores de pequenos artrópodes no solo. Ver foto!

ARCHAEOGNATHA (25 espécies; estimativa de 150)

    Do grego archaeos = primitivos; gnathos = mandíbula. Refere-se à condição primitiva da mandibula, que apresenta um único côndilo.

    Nome popular: traça-saltadora.

    São insetos ápteros, terrestres, saltadores, hipognatos, ametábolos, olho composto desenvolvido e contíguo, três ocelos presentes e apresentam antenas longas e filiformes. Apresentam no final do abdômen três filamentos, sendo dois cercos laterais e um mediano (paracerco) mais longo. Ver figura!

    Tamanho: 6 a 20 mm.

    Ocorrem em ambientes úmidos e são encontrados sob a casca de árvores, no solo, folhiço ou em fendas nas pedras. Alimentam-se de algas, líquens e matéria orgânica em decomposição. Ver foto!

ZYGEONTOMA (29 espécies; estimativa de 250)

    Do grego zygos = união; entomos = segmentado. Relacionado com o corpo segmentado.

    Nome popular: Traças ou traças-de-livro.

    Insetos ectognatos, ametábolos, ápteros, com o corpo geralmente achatado e coberto de escamas. O olho está ausente nas formas crípticas e os ocelos ausentes na maioria das espécies, com antena filiforme, muitas vezes maior que metade do comprimento do corpo. Apresentam três filamentos caudais, um mediano e um par de cercos laterais. Antigamente estavam juntos com os insetos da Ordem Archaeognatha na Ordem Thysanura (Deve-se evitar o uso desta ordem). Ver figura!

    Tamanho: 2 a 15 mm.

    São insetos geralmente crípticos, maioria de hábitos noturnos, sendo alguns muito ágeis. Ocorrem em cavernas, solo, serapilheira, sob casca de árvores, sob rochas e em cumpinzeiros e formigueiros (como inquilinos). A alimentação é constituída de matéria orgânica em decomposição e de fungos. Ver foto!

EPHEMEROPTERA (199 espécies; estimativa de 600)

    Do grego ephemeros = efêmero, pteron = asa. Em alusão ao curto período de vida da forma adulta.

    Nome popular: Efeméridas ou siriruias.

    Insetos hemimetábolos, anfibióticos, olho composto bem desenvolvido, antena setácea e curta, peças bucais vestigiais, asa anterior grande (triangular ou alongada), asa posterior menor ou ausente, pernas bem desenvolvidas, dois ou três filamentos caudais bem desenvolvidos. Ver figuras!

    Tamanho: 4 a 35 mm.

    As formas imaturas (ninfas, naiádes ou larvas) vivem em ambientes aquáticos de água doce (lênticos ou lóticos) e os adultos são geralmente encontrados próximos aos corpos d'água. Enquanto a forma larval vive geralmente entre três a seis meses (no máximo 3 anos), o adulto apresenta uma existência efêmera, variando de poucas horas a no máximo 10 dias. O adulto apresenta a função exclusiva de reprodução, enquanto que as formas larvais alimentam-se geralmente de algas e hidrófitas, com poucas espécies carnívoras.  Veja foto de um efemeróptero de autoria de J. A. Rafael.

ODONATA (828 espécies; estimativa de 1.500)

    Do grego odon = dente. Refere-se aos dentes fortes e robustos presentes nas mandíbulas das formas adultas, caracterizando o hábito predatório.

    Nome popular: Libélula, bizigue, lavadeira, lava-bunda e zigue-zague.

    São insetos hemimetábolos, anfibióticos, sendo os adultos terrestres e as larvas aquáticas. Cabeça móvel com olhos grandes, peças bucais mastigadoras, tórax forte com pernas direcionadas para frente, dois pares de asas hialinas (retangulares e longas), abdômen longo e fino.

    Tamanho: 15 a 175 mm.

    Os adultos terrestres são de hábitos diurnos e voadores, alternando períodos de vôo e pouso. A forma larval passa por três variedades de dieta: 1) protozoários ciliados, pequenos crustáceos (Ostracoda de Cladocera) e nematódeos; 2) larvas de Insetos (Diptera, Ephemeroptera, Plecoptera, Trichoptera e Odonata); 3) alevinos e girinos. Os adultos são predadores principalmente de insetos, ocorrendo também canibalismo.

Libélulas (Odonata). Fotos por Paulo S. Bernarde.

PLECOPTERA (150 espécies; estimativa de 300)

    Do grego pleco = entrelaçar, dobrar; pteron = asa. Refere-se ao lobo anal da asa posterior, dobrado em forma de leque sobre o abdômen, quando em repouso.

    São insetos hemimetábolos, anfibióticos, de corpo mole, olhos compostos, dois ou três ocelos, aparelho bucal mastigador, antena longa e multiarticulada, dois pares de asas membranosas. Veja fotografia e figuras!

     Tamanho: 4 a 60 mm.

    São encontrados geralmente próximos a rios, alimentam-se de vegetais e detritos.

   

EMBIOPTERA (37 espécies; estimativa de 300)

    Do grego embios = vivo, vivaz; pteron = asa.

    São insetos hemimetábolos, terrestres, subsociais, vivem confinados em galerias de seda. Apresentam o corpo tubular (um tanto achatado dorsoventralmente), ocelos ausentes, antena moniliforme, prognatos. Macho adulto geralmente alado, enquanto a fêmea sempre áptera. Ver figuras!

    Tamanho: 4 a 30 mm.

    Apresentam glândulas de seda, que é utilizada para construção de ninhos (galerias), onde a colônia vive confinada a maior parte do tempo. Os ninhos são encontrados na terra (até 30 cm de profundidade), em fendas, na serapilheira, sob troncos, sob pedras, na base de árvores, na casca de árvores, independentemente do ambiente, inclusive em áreas urbanizadas. Veja foto de um embioptero de autoria de J. A. Rafael.

ORTHOPTERA (1.480 espécies; estimativa de 5.000)

    Do grego orthos = reto, plano; pteron = asas. Refere-se à presença de tégminas planas, não dobradas transversalmente e retas.

    Nome popular: Ordem bem variadas, com vários nomes populares: Grilo, gafanhoto, paquinha ou cachorro-d'água, esperança ou bicho-folha.

    São insetos hemimetábolos, com aparelho bucal mastigador, cabeça hipognata (raramente prognata), asa anterior do tipo tégmina, asa posterior quando presente do tipo membranosa (com muitas veias longitudinais e transversais, dobrável longitudinalmente), fêmur posterior dilatado e adaptado para o salto. Ver Figuras!

    Tamanho: 5 a 150 mm.

    São bem conhecidos pela capacidade de saltar para fugirem e algumas pela capacidade de emitirem sons. A maioria das espécies é fitófaga, algumas predadoras de outros insetos e outras alimentam-se de matéria orgânica em decomposição. Os ortópteros são insetos solitários e ocasionalmente ou rotineiramente gregários. A maioria das espécies apresenta a capacidade de emitir sons principalmente com a finalidade de atrair o sexo oposto.

Aranha predando ortóptero. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Ortópteros. Fotos por Paulo S. Bernarde.

PHASMATODEA (220 espécies; estimativa de 600)

    Do grego phasma = fantasma. Refere-se ao hábito noturno e semelhança com galhos, troncos e folhas.

    Nome popular: Bicho-pau, mané-magro e taquarinha.

    São insetos hemimetábolos, coloração geralmente verde ou marrom, cabeça prognata, corpo geralmente alongado, tégminas geralmente curtas e espécies geralmente ápteras. Ver figura!.

    Tamanho: 17 a 250 mm.

    A maioria das espécies assemelha-se a gravetos ou folhas. Todos são fitófagos e predominantemente noturnos.

Bicho-pau (Phasmatodea). Foto por Paulo S. Bernarde.

    

DERMAPTERA (145 espécies; estimativa de 500)

    Do grego derma = pele; pteron = asas. Refere-se às tégminas (asas anteriores) grossas e coriáceas.

    Nome popular: Tesourinha e lacrainha.

    São insetos hemimetábolos, terrestres, de corpo alongado, cabeça prognata, sem ocelos, cercos em forma de pinças. Tégmina presente e asa posterior densamente dobrada, ultrapassando a tégmina por curta distância. Tégmina e asa posterior frequentemente reduzidas, raramente ausentes. Ver figura!

    Tamanho: 3 a 85 mm (maioria apresenta 10 e 15 mm).

    Geralmente são insetos ágeis e noturnos, durante o dia escondem-se em frestas e espaços estreitos, como axilas de folhas, sob cascas de árvores e pedras. Na ordem ocorrem espécies fitófagas, saprófagas e predadoras. Dependendo da espécie, os cercos (pinças) são utilizados para capturar artrópodes (nas espécies predadoras), defesa contra predadores, rituais entre machos, para desdobrar as asas e durante a corte. Ver foto!

 

ZORAPTERA (6 espécies; estimativa de 30)

    Do grego zoros = puro; a = sem; pteron = asa. Referem-se às primeiras espécies descritas, de forma ápteras, quando se pensava que a ordem abrigava espécies exclusivamente sem asas.

    São insetos hemimetábolos, terrestres, fêmur posterior dilatado, antena moniliforme a submoniliforme, com nove artículos.  Adultos dimórficos: uma forma áptera, sem olhos, marrom-clara, sendo mais comum; outra forma alada, com olhos compostos, preta ou quase assim, com dois pares de asas decíduas. Ver Figura!

    Tamanho: menos de 4 mm.

    São insetos gregários (geralmente colônias de 2 a 10 indivíduos), sem organização social, mas com cuidados maternais com a prole. São encontrados sob casca de árvores mortas, alimentam-se de fungos, ácaros e matéria orgânica em decomposição. Ver Foto!

ISOPTERA (320 espécies; estimativa de 500)

    Do grego isos = igual; pteron = asa. Refere-se à semelhança das asas anteriores com as posteriores na maioria das espécies viventes.

    Nome popular: Cupins e térmitas. As formas aladas também são chamadas de aleluias.

    São insetos hemimetábolos, terrestres, sociais, polimórficos (operários, soldados e imagos), olho composto presente nos adultos, vestigial ou ausente nos operários e soldados. Aparelho bucal do tipo mastigador, antena moniliforme ou filiforme, asa anterior e posterior semelhantes. Ver Figura do soldado, operária e adulto alado!

    Tamanho: 3 a 25 mm.

    Os cupins são mais conhecidos como pragas de madeira, apresentam um complexo sistema social, capacidade de digerir a celulose e possuem grande importância nos processos de decomposição, reciclagem de nutrientes minerais e formação do solo. São abundantes e diversificados nos cerrados e nas florestas. Ver Fotos!  

Cupins (soldados). Foto por Paulo S. Bernarde.

   

MANTODEA (273 espécies; estimativa de 700)

    Do grego mantis = profeta. Refere-se a crenças antigas de que esses insetos tinham poderes proféticos.

    Nome popular: Louva-a-Deus, pôe-mesa e cavalinho-de-Deus.

    São insetos hemimetábolos, terrestres, , cabeça móvel, antena multiarticulada (geralmente filiforme), aparelho bucal com mandíbulas fortes, perna anterior raptorial, asa anterior tégmina e posterior membranosa. Ver Figura!

    Tamanho: 8 a 170 mm.

    São insetos predadores (principalmente de insetos), geralmente apresentam camuflagem, caçando ativamente ou de espera.

    Veja alguns artigos sobre mantódeos no Brasil: Registros de Mantodea (Insecta) coletados à luz no dossel da floresta, na torre do km 14 do núcleo ZF-2, Manaus, Brasil (download); Espécies de louva-a-Deus (Insecta, Mantodea) do Rio Grande do Sul, Brasil (download); Mantódeos (Insecta, Mantodea) registrados no Rio Grande do Sul, Brasil (download); Etologia de louva-a-deus (Insecta: Mantodea) (download).
 

Louva-a-Deus ou Põe-mesa (Mantodea). Fotos por Paulo S. Bernarde.

BLATTARIA (644 espécies; estimativa de 3.000)

    Do Latim Blatta = baratas.

    Nome popular: Barata.

    São insetos hemimetábolos, terrestres, corpo geralmente achatado dorso-ventralmente, cabeça opistognata, aparelho bucal mastigador, dois ocelos, olhos grandes e antenas longas (filiformes ou moniliformes), asas anteriores tégminas e posteriores membranosas. Ver Figura!

    Ocorrem em quase todos ecossistemas e alimentam-se de matéria orgânica em decomposição. Quer saber sobre a utilidade das baratas domésticas?!

Aranha predando uma barata (Blattaria). Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Baratas (Blattaria). Fotos por Paulo S. Bernarde.

HEMIPTERA (10.191 espécies; estimativa de 30.000)

    Do grego hemi = metade; pteron = asa. Refere-se às asas anteriores do tipo hemiélitro (metade coriácea e metade membranosa).

    Nome popular: Percevejos, pulgões e cigarras. No Alto Juruá (AC) o nome popular potó é atribuído tanto para insetos hemípteros como também para coleópteros.

    São insetos hemimetábolos, terrestres (alguns aquáticos ou semi-aquáticos), aparelho bucal em forma de um rostro, constituído pelo lábio articulado onde se alojam as demais peças bucais sugadoras. Asas anteriores do tipo hemiélitro.

    Tamanho: 0,5 a 130 mm.

    Ordem muito diversificada, sendo a maior em número de espécies entre os insetos hemimetábolos. Anteriormente, grande parte das espécies (cigarras e pulgões) estavam na não mais utilizada Ordem Homoptera. Uma das razões para o sucesso dessa ordem é o aparelho bucal especializado, adaptado para picar e sugar. Podem ser predadores ou fitófagos, sendo algumas espécies pragas de lavouras e outras benéficas. Alguns percevejos hematófagos como o bicho-barbeiro (Triatomidae) apresenta importância médica por ser vetor da Doença-de-chagas. A jequitiranaboia ou tiranaboia é um inseto inofensivo e fitófago (Veja o artigo "Fatos reais e lendários sobre a jequitiranabóia").

    A barata-d'água (Belostomatidae) é um inseto aquático predador, predando inclusive anfíbios anuros adultos. Veja algumas publicações sobre eventos de predação de belostomatídeos sobre anfíbios anuros no Brasil: Predation on seven South American anuran species by water bugs (Belostomatidae) (download); Predation on Scinax x-signatus (Anura: Hylidae) by the giant water bug Lethocerus annulipes (Hemiptera: Belostomatidae) in a Brazilian Restinga habitat (download); Predation on Elachistocleis bicolor (Anura: Microhylidae) by Lethocerus annulipes (Heteroptera: Belostomatidae) (download).

    Os hemípteros da subfamília Triatominae (Bicho-barbeiro) apresentam importância a nível de saúde pública pela transmissão da Doença de Chagas. Veja alguns artigos sobre esses insetos: Biogeografia, origem e distribuição da domiciliação de triatomíneos no Brasil (download);  First report of Eratyrus mucronatus, Stal, 1859, (Hemiptera, Reduviidae, Triatominae), in the State of Rondônia, Brazil (download); Estudo da fauna de triatomíneos e da ocorrência de doença de Chagas em Monte Negro, Rondônia, Brasil (download); Revision of the Triatominae (Hemiptera, Reduviidae), and their significance as vectors of Chagas' disease (download).

Jequitiranaboia ou tiranaboia (Hemiptera). Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Hemípteros. Fotos por Paulo S. Bernarde.

THYSANOPTERA (520 espécies; estimativa de 2.000)

    Do grego thysanos = franja; pteron = asas. Refere-se à presença de franja de cerdas ou cílios longos em uma ou ambas as margens das asas dos adultos.

    Nome popular: Tripes e lacerdinha.

    Insetos com metamorfose considerada intermediária entre hemi e holometabolia. São delgados, alongados, geralmente achatados dorso-ventralmente, cercos ausentes, aparelho bucal assimétrico, do tipo perfurador-sugador. Asas, quando presentes, membranosas, geralmente delgadas, com franja de cerdas ou cílios longos e venação reduzida. Ver figura!

    Tamanho: 0,5 a 15 mm.

    O inseto mais conhecido dessa ordem é a lacerdinha, associado a figueiras e incômodo quando em grande número, sobretudo em praças e vias públicas. Algumas espécies que danificam plantas são chamadas de tripes ou piolhos da cultura em questão. Ver foto!

PSOCOPTERA (425 espécies; estimativa de 2.000)

    Do grego psoco = triturar, roer; pteron = asa. Refere-se ao hábito dos psocópteros de roer o alimento.

    São insetos hemimetábolos, terrestres, com cabeça grande e móvel, antena filiforme. Maioria possui cabeça hipognata e corpo cilíndrico. Asas quando presentes, membranosas, mantidas em forma de telhado sobre o abdômen, venação simples. Ver figura!

    Tamanho: máximo de 10 mm.

    Alimentam-se de algas, fungos e ovos de outros insetos. Vivem nas folhagens (viva e morta), serapilheira do solo, cascas de árvores, superfície de rochas, habitações humanas, ninhos de aves e de mamíferos. Ver foto!

PHTHIRAPTERA (900 espécies; estimativa de 2.000)

    Do grego phthir = piolho; a = sem; pteron = asa. Refere-se à ausência de asas nos piolhos.

    Nome popular: Piolhos.

    São insetos hemimetábolos, pterigotos (Secundariamente ápteros), corpo esclorosado, achatado dorso-ventralmente, coberto de cerdas voltas para trás, coloração amarelada ou castanha, olhos presentes ou ausentes, antena com três a cinco artículos, aparelho bucal mastigador ou sugador-pungitivo, pernas escansoriais. Ver figuras!

    Tamanho: 0,3 a 11 mm.

    São insetos ectoparasitas de aves e mamíferos. O piolho do corpo humano é conhecido como muquirana, o da cabeça como piolho-da-cabeça e o pubiano como chato. Anteriormente as espécies dessa ordem estavam agrupadas em Mallophaga e Anoplura devido a caracteres morfológicos, hábitos alimentares e interações com os hospedeiros. Ver foto!

COLEOPTERA (28.000 espécies; estimativa de 130.000)

    Do grego koleos = bainha, estojo; pteron = asa. Refere-se às asas anteriores endurecidas (tipo élitro).

    Nome popular: Besouros, joaninha, caruncho, hércules, rola-bosta, serra-pau, vaga-lume. No Alto Juruá (AC) o nome popular potó é atribuído tanto para insetos hemípteros como também para coleópteros.

    São insetos holometábolos, corpo muito esclerosado, ocelos raramente presentes, antenas geralmente com 11 antenômeros ou menos, peças bucais mandilbuladas geralmente do tipo mastigador, asa anterior engrossada e endurecida (élitro), asa posterior do tipo membranosa (em repouso permanece dobrada embaixo do élitro). Ver Figuras!

    Tamanho: 0,3 a 200 mm.

    Essa é a ordem de insetos com maior número de espécies descritas. Conhecidos popularmente como besouros, diferentes famílias são conhecidas por nomes populares diferentes. Os coleópteros ocupam quase todos os hábitats terrestres e de água doce e também alguns poucos marinhos. A maioria das espécies é fitófaga, alimentando-se do tecidos de plantas vivas, outros são saprófagos, micófagos (alimentam-se de fungos) e carnívoros (predadores de insetos).

Besouro (Coleoptera) morto devido o ataque de fungo. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Besouros (Coleoptera). Fotos por Paulo S. Bernarde.

    

NEUROPTERA (359 espécies; estimativa de 1.000)

    Do grego neuron = nervura; pteron = asa. Refere-se ao grande número de veias nas asas.

    Nome popular: Formiga-leão.

    São insetos holometábolos, predominantemente terrestres, olhos compostos presentes, ocelos geralmente ausentes, antenas com vários artículos, aparelho bucal mandibulado, cerco ausente. Asas membranosas, quando em repouso dispostas obliquamente ao lado do corpo, com várias veias transversais. Ver Figura!

    Tamanho: 2 a 153 mm.

    Vivem em grande variedade de hábitats, como cavernas, buracos em árvores, florestas, cerrado e em diversos agroecossistemas. Tanto os adultos como as larvas são predadores de insetos de corpo mole, como cochonilhas, pulgões, ovos e larvas de lepidópteros. Muitos alimentam-se de secreções açucaradas produzidas por alguns hemipteros, pólen e outras substâncias. Ver Foto!

MEGALOPTERA (19 espécies; estimativa de 40)

    Do grego megalo = grande; pteron = asa. Refere-se ao tamanho grande da asa.

    Nome popular: Não apresentam nomes populares no Brasil. No Acre e em Rondônia as pessoas confundem os megalopteros com a jequitiranaboia (Hemiptera).

    São insetos holometábolos, terrestres (exceto na fase larval que são aquáticos), antena multiarticulada (geralmente moniliforme ou filiforme), olhos compostos presentes, ocelos podem estar ausentes ou presentes, dois pares de asas membranosas grandes, que repousam em forma de telhado sobre o abdômen. Adultos podem apresentar dimorfismo sexual, o macho com mandíbula mais longa e forte do que a fêmea. Ver Figura!

    Tamanho: 10 a 90 mm.

    Durante a fase larval são predadores de organismos aquáticos e vivem em riachos, rios, lagos e poças temporárias. A maioria das espécies é noturna quando adultos, e estes têm vida curta e alimentam-se de líquidos (apresentam o intestino atrofiado). Ver foto de um indivíduo macho e de uma fêmea.

HYMENOPTERA (10.000 espécies; estimativa de 70.000)

    Do grego hymen = membrana; pteron = asa. Refere-se às asas membranosas presentes nos membros da ordem.

    Nome popular: Abelhas, vespas (ou cabas), formigas (de correição, lava-pé, saúva, tucandeira ou tucandira).

    São insetos holometábolos, terrestres, solitários ou sociais. Mandíbulas bem desenvolvidas, do tipo mastigador, maxilas e lábio formando um aparato lambedor. Antenas geralmente filiformes e relativamente curtas, olhos compostos e ocelos quase sempre presentes, pernas do tipo cursorial. Formas aladas com dois pares de asas membranosas. Ver Figuras!

    Tamanho: 0,14 mm a cerca de 7 cm.

    Embora os grupos basais sejam herbívoros, a maioria das espécies de Hymenoptera é composta por vespas parasíticas. Em relação ao modo de vida e alimentação das larvas, a grande maioria dos himenópteros pode ser classificado em três grandes categorias: herbívoros, parasitóides e predadores. As fêmeas dos himenópteros parasíticos (ou parasitóides) colocam seus ovos em outros artrópodes (geralmente formas jovens de outros insetos), as larvas quando nascem consomem seus hospedeiros, quase sempre os levando à morte (Saiba mais sobre insetos parasitóides). Cultivo de fungos e fungivoria como dieta larval ocorre na Tribo Atttini (saúvas), em Formicidade.

    Os Hymenoptera são insetos de grande importância como polinizadores, especialmente as abelhas (Melitofilia: polinização por abelhas). Veja alguns artigos sobre esse tema: Biologia floral e polinização por abelhas em siratro (Macroptilium atropurpureum Urb.) (download); Abelhas nativas: polinizadores em declínio (download);  Polinização por abelhas em cultivos protegidos (download);  Valor econômico da polinização por abelhas mamangavas no cultivo do maracujá-amarelo (download).

    Veja esse artigo do Professor Elder Morato (UFAC de Rio Branco) e colaboradores sobre levantamento de vespas no Parque Nacional da Serra do Divisor (Alto Juruá - AC): Avaliação ecológica rápida da fauna de vespas (Hymenoptera: Aculeata) do Parque Nacional da Serra do Divisor, Acre, Brasil.

    Interessante é a importância das formigas de correição para algumas espécies de aves que as seguem para capturar suas presas. Veja o artigo Aves seguidoras de correições de formigas nas Américas e África.

    Alguns Hymenoptera como algumas abelhas, vespas e formigas (ex. tucandeira ou tocandira) podem causar envenenamentos (himenopterismo) em seres humanos e também em animais domésticos. Veja alguns artigos sobre esse tema: Acidente humano por picadas de abelhas africanizadas (download);  Acidente provocado por picada de abelhas como causa de morte de cães (download); Description of an injury in a human caused by a false tocandira (Dinoponera gigantea, Perty, 1833) with a revision on folkloric, pharmacological and clinical aspects of the giant ants of the genera Paraponera ad Dinoponera (Sub-family Ponerinae) (download).
 

Exemplo de parasitóide: Cavalo-do-cão (Hymenoptera) capturando caranguejeira (Avicularia sp.). Fotos por Paulo S. Bernarde.

 

Formiga predando juvenil de dendrobatídeo (Ameerega picta) (Amphibia: Anura). Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Vespa ou caba (Hymenoptera) morta devido a fungo. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Marimbondo ou caba (Hymenoptera). Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Formigas (Hymenoptera). Fotos por Paulo S. Bernarde.

TRICHOPTERA (379 espécies; estimativa de 3.000)

    Do grego trichos = pelos; pteron = asas. Refere-se às cerdas presentes nas asas.

    Nome popular: As casas construídas pelas larvas eram chamadas de grumixás ou curubixás por indígenas (Em Tupi significa "lugar onde vive o menino").

    São insetos holometabólicos com larvas aquáticas, olhos compostos bem desenvolvidos, ocelos presentes, antena filiforme e longa (às vezes até várias vezes o tamanho do corpo), peças bucais reduzidas, dois pares de asas desenvolvidas (asa posterior geralmente menor, às vezes mais larga), cobertas de cerdas e com venação generalizada. Ver Figura!

    Tamanho: 1 a 50 mm.

    A aparência dos adultos é variada, lembrando pequenas mariposas. A maioria das espécies tem seu pico de atividade durante o crepúsculo ou à noite, algumas espécies de atividade diurna podem ser vistas em comportamento de corte sobre a vegetação ripária. As espécies noturnas ficam escondidas durante o dia entre folhas e rochas nas margens dos ambientes aquáticos. As larvas constroem casas ou abrigos com seda das glândulas salivares modificadas e utilizando diversos tipos de materiais, como folhas, areia, fragmentos de rochas ou somente seda (Veja mais em "Insetos arquitetos" - Ciência Hoje). De acordo com a forma e hábito alimentar, as larvas podem ser raspadoras, catadoras, filtradoras, fragmentadoras, predadoras e sugadoras de plantas. Os adultos não ingerem alimentos sólidos e vivem de poucos dias a duas ou três semanas. Ver Foto!

LEPIDOPTERA (26.000 espécies; estimativa entre 60.000 a 80.000)

    Do grego lepidos = escamas; pteron = asas. Refere-se às asas cobertas por escamas.

    Nome popular: Borboletas e mariposas.

    São insetos holometábolos, apresentando dois pares de asas membranosas, corpo e demais apêndices densamente cobertos por escamas, peças bucais do tipo sugador, probóscide geralmente desenvolvida. Ver Figura!

    Tamanho: 1 a 100 mm.

    As larvas apresentam peças bucais mastigadoras e geralmente são herbívoras, enquanto que os adultos apresentam peças bucais sugadoras e em geral alimentam-se de néctar e pólen (realizando a polinização).

    Os lepidópteros apresentam grande importância como polinizadores, psicofilia é a polinização por borboletas e falenofilia por mariposas. Veja alguns artigos sobre esse tema: Borboletas (Lepidoptera: Hesperioidea e Papilionoidea) visitantes florais no Jardim Botânico da Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil (download); Polinização em uma comunidade de bromélias em Floresta Atlântica Alto-montana no Estado do Paraná, Brasil (download) e Polinização de Lantana fucata Lindley (Verbenaceae) por Parides ascanius Cramer (Lepidoptera: Papilionoidea) na Restinga de Grumari, Rio de Janeiro, RJ (download).

    Lepidopterismo é um termo utilizado de uma forma geral para designar os acidentes causados por lepidópteros, entretanto na literatura encontramos dois termos diferenciando se o acidente foi com formas adultas ou com formas larvais: Lepidopterismo se refere aos acidentes ocasionados por mariposas e Erucismo que são os casos de envenenamento resultante do contado com lagartas (No Alto Juruá são chamadas de "carneirinho"). Veja alguns artigos sobre este tema: Acidentes por Lepidópteros (larvas e adultos de mariposas): estudo dos aspectos epidemiológicos, clínicos e terapêuticos (download); Surtos epidêmicos de dermatite causada por mariposas do gênero Hylesia (Lepidoptera: Hemileucidae) no Estado de São Paulo, Brasil (download); Descrição de um surto de lepidopterismo (dermatite associada ao contato com mariposas) entre marinheiros, ocorrido em Salvador, Estado da Bahia (download); Erucismo por Lonomia spp em Teresópolis, RJ, Brasil. Relato de um caso provável e revisão da literatura (download).

Lepidóptero alimentando-se de néctar e de pólen. Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Lepidópteros. Fotos por Paulo S. Bernarde.

 

Larvas de Lepidoptera. Fotos por Paulo S. Bernarde.

   

MECOPTERA (23 espécies; estimativa de 100)

    Do grego meco = longo; pteron = asa. Refere-se ao formato alongado das asas de algumas espécies.

    São insetos holometábolos, terrestres, peças bucais mastigadoras, pernas longas e delgadas, dois pares de asas membranosas (subiguais e com venação semelhante). Ver Figura!

    Tamanho: 2 a 24 mm.

    Os adultos são encontrados em ambientes úmidos e sombreados das florestas, ao longo de rios, lagos e riachos. A maioria das espécies é predadora, alimentando-se de outros insetos. Ver Foto!

SIPHONAPTERA (60 espécies; estimativa de 90)

    Do grego siphon = tubo; a = sem; pteron = asa. Em referência a insetos sugadores e ápteros.

    Nome popular: Pulgas e bicho-de-pé.

    São insetos holometábolos, secundariamente ápteros, ectoparasitas de aves e principalmente de mamíferos, corpo esclerosado e comprimido lateralmente. Olhos, quando presentes, arredondados e quase sempre negros. Antena curta, aparelho bucal sugador-pungitivo. Pernas longas e coxas dilatadas, adaptadas para o salto. Ver Figura!

    Tamanho: 1 a 3 mm.

    São insetos hematófagos, apresentando importância a nível de saúde pública por poderem ser vetores de algumas doenças como peste bubônica e tifo murino. Ver Foto!

DIPTERA (8.700 espécies; estimativa de 60.000)

    Do grego di = duas; pteron = asas. Refere-se ao número de asas funcionais (apenas um par anterior) encontrado em quase todos os membros adultos.

    Nome popular: Moscas, pernilongos (ou mosquitos ou carapanãs), varejeiras, borrachudos (ou piuns).

    São insetos holometábolos, com um par de asas membranosas funcionais (ausente secundariamente em poucas espécies), asas posteriores reduzidas a halteres, adultos com peças bucais sugadoras, geralmente adaptadas para perfurar. Larva ápode. Ver Figura de uma Mosca e de um Mosquito!

    Tamanho: 0,5 a 60 mm.

    Muitas espécies são vetores de doenças no homem e em animais domésticos. Fêmeas de espécies de poucas famílias são hematófagas (ex. Culicidae e Tabanidae), sendo que muitas são predadoras e adquirem energia alimentando-se de suas presas. A maioria dos adultos alimentam-se de néctar e pólen. Muitas espécies são predadoras, parasitas ou parasitóides, ou alimentam-se de fungos ou de plantas, ajudando a manter equilíbrio de populações de diversos organismos nos ecossistemas. Ver Fotos do Mosquito transmissor da Malária (Anopheles sp.), Mosquito transmissor da Dengue e da Febre Amarela Urbana (Aedes aegypti) e do Mosquito transmissor (Mosquito-palha) da Leishmaniose (Lutzomyia sp.).

Mosquito ou carapanã (Diptera) sobre para de um anfíbio anuro dendrobatídeo (Ameerega trivittata). Foto por Paulo S. Bernarde.

 

Mosquitos ou carapanãs (Diptera) sobre pássaro. Foto por Paulo S. Bernarde.

STREPSIPTERA (34 espécies; estimativa de 200)

    Do grego strepsis = torcido, espiralado; pteron = asa. Refere-se aos machos de vida livre que, quando voando, dão a impressão de que as asas posteriores têm um movimento espiralado.

    São insetos holometábolos, parasitóides entomófagos. Adultos machos são de vida livre e as fêmeas da maioria das espécies endoparasitoides de outros insetos. Os machos têm olhos compostos (com poucos omatídios grandes, com aspecto de amora), antena flabelada e asa anterior pequena (claviforme e esclerosada), asa posterior grande e membranosa. Ver Figura!

    São endoparasitoides obrigatórios, parasitando insetos pertencentes a sete ordens no Brasil (Zygentoma, Blattaria, Mantodea, Orthoptera, Hemiptera, Diptera e Hymenoptera). Os machos apresentam vida curta (cerca de 5 a 6 horas). Ver Foto!

 

BIBLIOGRAFIA

RAFAEL, J. A.; MELO, G. A. R.; CARVALHO, C. J. B.; CASARI, S. A. & CONSTANTINO, R. (Eds.). 2012. Insetos do Brasil – Diversidade e taxonomia. Holos Editora, Ribeirão Preto, 810p.

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