A JARARACA-ILHOA (Bothrops insularis)

E A ILHA DA QUEIMADA GRANDE

Paulo Bernarde

    A Jararaca-ilhoa  (Bothrops insularis) é uma espécie de serpente encontrada somente na Ilha da Queimada Grande (43 hectares) no litoral sul do Estado de São Paulo. Esta espécie endêmica e ameaçada de extinção foi descrita em 1922 por Afrânio do Amaral (1894 - 1982), que foi pesquisador no Instituto Butantan e também Diretor desta Instituição de 1919 a 1921 e de 1928 a 1938 (Saiba mais sobre a vida deste pesquisador!).

    Afrânio do Amaral também foi o pioneiro em estudar o veneno dela e descobriu que era mais eficaz em aves do que em roedores, diferindo-se assim das jararacas do continente. Em sua publicação de 1922 ele narra: "Todavia, tendo, um certo dia, recebido daquella ilha uma grande partida dessas cobras e estando então estudando a biologia dos nossos ophidios, não foi sem grande surpreza que nas fezes dellas se me depararam pennas de passaros. Isto indicava que os habitos dessa especie eram provavelmente diversos das Jararacas e das Caissacas, as quaes se alimentam quasi exclusivamente de roedores. Diante disso, resolvi ir á Ilha Queimada Grande, a fim de estudar in loco a biologia da nova jararaca."
 

   

Afrânio Amaral na capa da revista Time em 1929.

    A ilha , também conhecida como a "Ilha das Cobras", fica distante 33 km do município de Itanhaém, apresenta aproximadamente 1.500 metros de comprimento por 500 m de largura e uma altitude máxima de 200, perfazendo uma área total de 430.000 m².

A Ilha da Queimada Grande. Foto: Paulo Bernarde.

A ILHA DA QUEIMADA GRANDE

 

    Desabitada por humanos, a Ilha da Queimada Grande é uma Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) e pertence à Área de Proteção Ambiental (APA) de Cananéia-Iguape-Peruíbe. Sua formação é rochosa, escarpada, não possui praias arenosas o que dificulta o desembarque e é de difícil acesso quando o mar está revolto. Não existe fonte de água doce na ilha, apenas duas fontes calcárias de água impróprias para o consumo humano.  Veja sobre os aspectos históricos das expedições e pesquisas científicas na Ilha no artigo "Instituto Butantan e a jararaca-ilhoa: cem anos de história, mitos e ciência" de Kasperoviczus & Almeida-Santos (2012).

 

    Em sua maior parte a Ilha da Queimada Grande é coberta por Mata Atlântica, mas também existem gramíneas em áreas alteradas pelo homem. No passado haviam moradores na ilha, que eram responsáveis por acenderem o farol que nela existe, que atualmente é automático.

 

Farol localizado na Ilha da Queimada Grande. Foto: Paulo Bernarde.

Uma antiga escada de pedras de uma casa na Ilha. Foto: Paulo Bernarde.

Bananal na Ilha da Queimada Grande. Uma lenda (Ou não!) que ouvi entre os moradores de Peruíbe diz que uma vez um marinheiro se aventurou entrando na ilha para apanhar bananas e foi picado e morto por uma Jararaca-ilhoa que estava em um cacho. Foto: Paulo Bernarde.

Nesta pedra que o pesquisador Afrânio do Amaral (1894 - 1982) costumava sentar-se quando fazia expedições na ilha. Ele que descreveu a Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis). Sua última expedição foi há aproximadamente 90 anos. Foto: Breno Damasceno.

Paredão "Marcus Buononato" (Nome dado em homenagem a este biólogo que participou de várias expedições a Ilha). Foto: Paulo Bernarde.

Chegando na Ilha de lancha. Foto: João Mendes.

Na Ilha da Queimada Grande. Foto: Breno Damasceno.
 

 

A FAUNA DA ILHA DA QUEIMADA GRANDE

    Além da Jararaca-Ilhoa (Bothrops insularis), outros animais são encontrados na Ilha da Queimada Grande (Duarte et al. 1995; Vrcibradic & Rocha 2005; Brasileiro et al. 2007). Na ilha não ocorrem roedores, os únicos mamíferos registrados são duas espécies de morcegos (Nyctinomops laticaudus e N. macrotis). A escassez de água doce na ilha é um fator limitante para ocorrência de anfíbios. Duas espécies são encontradas na Queimada Grande, a rã Haddadus binottatusque que apresenta desenvolvimento direto  e uma espécie de perereca (Scinax peixotoi), que está ameaçada de extinção. Na ilha são encontradas aves marinhas e também pássaros, alguns residentes e outros migratórios.  Os répteis que ocorrem na ilha são lagartos (Colobodactylus taunay, Hemidactylus mabouia e Mabuya macrorhyncha), Anfisbênios (Amphisbaena hogei e Leposternon microcephalum) e a serpente Dormideira (Dipsas albifrons).

Gaivota (Larus dominicanus). Foto: Paulo Bernarde.

Casal de Atobás (Sula leucogaster) com filhote – Uma das espécies de aves marinhas que se reproduzem na Ilha da Queimada Grande. Foto: Paulo Bernarde.

 

Corruíras (Troglodytes musculus) – ave residente na Ilha da Queimada Grande que não é predada pela jararaca-ilhoa. Foto: Paulo Bernarde.

Lagarto (Psychosaura macrorhyncha) – espécie registrada na dieta da jararaca-ilhoa. Foto: Paulo Bernarde.

Centopeia (Otostigmus sp.) – espécie registrada na dieta da jararaca-ilhoa. Foto: Paulo Bernarde.

 

A JARARACA-ILHOA

 

Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis). Fotos: Paulo Bernarde.

    Uma possível explicação da origem desta espécie de serpente é a especiação alopátrica. A Ilha da Queimada Grande se separou do continente há aproximadamente 11 mil anos e assim a jararaca-ilhoa ficou isolada das jararacas do continente. Sofrendo pressões ambientais diferentes na Ilha, como a ausência de roedores para se alimentar, muitas das respostas adaptativas da jararaca-ilhoa estão caracterizadas pelo seu veneno e hábitos associados a predação de aves (Veja Marques et al. 2002). A jararaca-ilhoa apresenta hábitos arborícolas (caça também sobre a vegetação) e diurnos (caça durante o dia) e seu veneno é especializado em matar aves, diferenciando-se de sua parente mais próxima do continente, a Jararaca (Bothrops jararaca).

Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis). Foto: Paulo Bernarde.

    O tamanho da jararaca-ilhoa é de cerca de 70 cm, com o máximo registrado de 1,09 m (fêmea) e de 91,2 cm (macho) (Guimarães et al. 2010). É estimado que ocorram na área de floresta (30 ha) da ilha em torno de 1.500 a 2.000 serpentes (50 a 70 serpentes por hectare) (MARTINS & MARQUES 2008; Martins et al. 2008). A serpente ocorre principalmente na área de Mata Atlântica da ilha da Queimada Grande, sendo também encontrada eventualmente nas áreas cobertas por capim (MARTINS & MARQUES 2008). Podem estar ativas tanto de dia quando à noite, caçando no chão ou sobre a vegetação.

Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis) sobre galho de árvore a 2 metros de altura. Fotos: Paulo Bernarde.

Momento em que eu fotografava o espécime da foto anterior. Fotos: Breno Damasceno.
   

    Os adultos da Jararaca-ilhoa alimentam-se principalmente de pássaros migratórios, enquanto os juvenis predam centopeias, anfíbios e lagartos (Duarte et al. 1995; MARTINS & MARQUES 2008; Marques et al. 2012). Em relação a reprodução, são vivíparas, apresentando baixa natalidade (dificilmente ultrapassa 10 filhotes) e os nascimentos de filhotes ocorrem no verão (MARTINS & MARQUES 2008; Marques et al. 2013).

Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis). Note a presença de carrapatos. Foto: Paulo Bernarde.


    Diferentemente da jararaca do continente (Bothops jararaca) que se alimenta principalmente de roedores, a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis) tem sua dieta constituída principalmente por pássaros, o que está associado com o fato de não existirem roedores na ilha (Marques et al. 2002). Outras diferenças ecológicas com a jararaca do continente é o período e substrato de caça da jararaca-ilhoa, sendo ativa também durante o dia e caçando também sobre a vegetação. Fato interessante é que apenas pássaros migratórios (ex. a guaracava Elaenia sp.) são predados pela jararaca-ilhoa, enquanto as espécies residentes como a corruíra (Troglodytes musculus) parece ter aprendido a evitar o ataque da serpente (Marques et al. 2002; 2012). Outra mudança que ocorreu com essa serpente é a forma de lidar com a presa (Marques et al. 2002; Marques & Sazima 2009), enquanto a jararaca comum ao picar um roedor o solta, a jararaca-ilhoa retém na boca o pássaro até o veneno matá-lo. Os juvenis da jararaca-ilhoa utilizam o engodo caudal para atrair presas ecotérmicas (anuros e lagartos) e pelo adulto para atrair pássaros (Andrade et al. 2010).

Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis) adulta. Note a parte distal da cauda de coloração escura que é utilizada para atrair pássaros através do engodo caudal.
 

O VENENO DA JARARACA-ILHOA

    Como as demais Bothrops, a Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis) apresenta dentição solenóglifa, com veneno de ação proteolítica, coagulante e hemorrágica (Acidente botrópico). O veneno da jararaca-ilhoa (Bothrops insularis) é diferenciado das demais do continente e especializado para predar pássaros (Zelanis et al. 2008), sendo muito mais tóxico para esses animais que o veneno da jararaca do continente (B. jararaca) (Amaral 1921; Zelanis et al. 2008). Como a ilha da Queimada Grande não é habitada, portanto o risco de acidente ofídico com essa serpente seria mínimo. A ilha é Área de Relevante Interesse Ecológico e de acesso restrito apenas a analistas ambientais e pesquisadores autorizados. Entretanto, ocorrem visitas ilegais e traficantes de animais removem exemplares de seu habitat para o comércio ilegal da fauna silvestre (Martins et al. 2008). Essa atividade criminosa contribui para o declínio populacional dessa espécie ameaçada e ainda coloca em risco a vida de pessoas. O soro antibotrópico deve ser utilizado em pacientes picados por esta espécie, desde que não exista disponível um soro específico para essa serpente (Lira et al. 2007).


Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis). Foto: Paulo Bernarde.
 

 

IMPORTÂNCIA DA SERPENTE

Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis). Foto: Paulo Bernarde.
 

    Desde crianças fomos condicionados pelos adultos a temermos todas as cobras de uma forma generalizada. Medo este que não apresenta fundamento uma vez que nenhuma serpente peçonhenta se aproxima de nós com a intenção de nos picar e matar. O que ocorre na maioria das vezes é que nós nos aproximamos de uma serpente peçonhenta que poderá dar um bote para se defender e causar um envenenamento. No Brasil são registrados por ano menos de 150 óbitos causados por acidentes ofídicos, número bem inferior ao total de de homicídios que ocorrem anualmente (> 50.000 óbitos). Ou seja, é bem mais fácil sermos mortos por um de nossa espécie do que por uma serpente.

    As serpentes apresentam valioso papel na natureza como predadores e presas de vários outros animais, além do potencial farmacológico de seus venenos ainda pouco explorados e que podem trazer inúmeros benefícios para humanidade. Do veneno da Jararaca (Bothrops jararaca) foi produzido o anti-hipertensivo Captopril, todos nós temos um parente ou um conhecido que utiliza esse medicamento. A proteína "Enpak" ("endogenous pain killer") obtida no veneno da cascavel (Crotalus durissus) demonstrou ter um efeito analgésico 600 vezes mais potente que o da morfina. Portanto, as cobras também são responsáveis por salvarem a vida de milhares de pessoas, e existe um potencial enorme nos seus venenos para descoberta de novos remédios, o que denota a importância de se saber mais sobre a vida desses animais que estão presentes tanto nos campos e florestas como por vezes nas cidades. Por isso, é fundamental preservar e conhecer melhor esses animais de importância para a humanidade, assim como aprendermos a respeitá-los.

Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis) em processo de muda de pele. Foto: Paulo Bernarde.

 

AGRADECIMENTOS

    Sou grato ao Chefe da Unidade de Conservação ARIE da Ilha da Queimada Grande Carlos Renato de Azevedo (ICMBio) pela autorização concedida para a expedição. Ao Biólogo Breno Damasceno do CEAM Galápagos por me guiar na Ilha e informações sobre a fauna, flora e história da Queimada Grande. Aos amigos Fábio Barata, Eduardo CF (Carnívoro do Itapema) e João Mendes pela companhia durante a viagem para Ilha. Sou grato também para a Mochileiros Hostel & Pousada e seus proprietários Fábio Barata e Elen dias pela calorosa recepção.

Breno Damasceno e eu (Paulo Bernarde) quando chegamos na Ilha da Queimada Grande. Foto: Fábio Barata.

                                    

 

BIBLIOGRAFIA SOBRE A JARARACA-ILHOA E SOBRE A FAUNA DA ILHA DA QUEIMADA GRANDE

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    AMARAL, A. 1921. Contribuição para o conhecimento dos ophideos do Brasil. A. Descrição de uma nova espécie. Memórias do Instituto Butantan 1(1):18-37.
    AMARAL, A. 1921. Contribuição para o conhecimento dos ophidios do Brasil. A. Parte II. Biologia da nova espécie, Lachesis insularis. Memória do Instituto Butantan 1:39.44.
    AMARAL, A. 1927. Excursão, a Ilha da Queimada Grande: notas sobre a biologia de uma Lachesis ali existente. Memórias do Instituto Butantan 2:49-57.
    ANDRADE, D. V.; MARQUES, O. A. V.; GAVIRA, R. S. B.; BARBO, F. E.; ZACARIOTTI, R. L. & SAZIMA, I. 2010. Tail luring by the golden lancehead (Bothrops insularis), an island endemic snake from South-eastern Brazil. South American Journal of Herpetology 5(3):175-180.
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    VRCIBRADIC, D. & ROCHA, C. F. D. 2005. Observations on the natural history of the lizard Mabuya macrorhyncha Hoge (Scincidae) in Queimada Grande Island, São Paulo, Brazil. Revista Brasileira de Zoologia 22(4):1185-1190.
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