A SURUCUCU-PICO-DE-JACA (Lachesis muta)

 

    A serpente Lachesis muta foi descrita em 1766 por Linnaeus, que originalmente a denonimou Crotalus mutus (Cascavel silenciosa). O nome "muta" de origem latina significa "muda", referindo-se ao fato de essa espécie parecer com a Cascavel, mas sem ter um guizo ou chocalho na ponta da cauda. No Acre, essa espécie de cobra é eventualmente chamada de Cascavel por alguns moradores da floresta, devido o comportamento dela vibrar a cauda que no chão da floresta pode fazer um ruído que eles atribuem ao som de um chocalho. As protuberâncias cônicas de suas escamas lembram uma casca de jaca, de onde provém o nome popular “Pico-de-jaca” ou "Bico-de-jaca". Apesar de que muitos publicam e ensinam como Surucucu o nome popular de Lachesis muta, o nome Pico-de-jaca é o mais utilizado na Amazônia. Na Bahia essa cobra é também conhecida como  Pico-de-jaca, Surucucu-pico-de-jaca, Surucucu-cospe-fogo e Surucucu-apaga-fogo. Em algumas regiões da Amazônia (em especial Acre e Amazonas) o nome "Surucucu" é utilizado para designar a serpente Bothrops atrox, que também é conhecida como Jararaca.

Surucucu-pico-de-jaca (Lachesis muta). Foto por Paulo S. Bernarde

Lachesis muta (Linnaeus, 1766)

Nomes populares: Surucucu-pico-de-jaca, Pico-de-jaca, Bico-de-jaca, Surucucu-cospe-fogo e Surucucu-apaga-fogo.

Nome em inglês: Bushmaster = Mestre das Florestas.

Família: Viperidae.

Tipo de dentição: Solenóglifa.

Tamanho: Pode ultrapassar três metros de comprimento. É a maior cobra peçonhenta das Américas.

Surucucu-pico-de-jaca (Lachesis muta). Foto por Paulo S. Bernarde

 

Distribuição geográfica: Amazônia e na Mata Atlântica (da Paraíba até o norte do Rio de Janeiro).

Hábitat: Ocorre em florestas primárias.
Microhabitat: Espécie terrícola.

Hábitos alimentares: Alimenta-se de roedores (ratos, cotias e esquilos) e marsupiais.
Período de atividade: Noturno

Reprodução: Ovípara, com o registro de até 20 ovos. Fato interessante que essa é a única espécie de viperídeo no Brasil ovípara e a fêmea se enrola junto aos ovos, sendo uma forma de cuidado parental. Os filhotes nascem com um tamanho de 40 a 50 cm.

Comportamento de defesa: Como outros viperídeos, essa serpente desfere o bote como defesa para picar. Também faz o “S” com a parte anterior do corpo, posicionando-se de frente para o observador, além de vibrar a cauda no chão. Sua coloração críptica a torna camuflada, especialmente quando se encontra no chão da floresta.

Surucucu-pico-de-jaca (Lachesis muta). Foto por Paulo S. Bernarde

 

AÇÃO DO VENENO E SINTOMAS NA VÍTIMA

O veneno apresenta ação proteolítica (atividade inflamatória aguda), hemorrágica, coagulante e neurotóxica.
A sintomatologia na vítima devido a ação proteolítica, hemorrágica e coagulante do veneno é semelhante ao acidente botrópico (causado pelas jararacas) com dor, edema e equimose (que pode progredir para todo membro acometido), formação de bolhas, gengivorragia e hematúria. Difere do acidente botrópico devido ao quadro neurotóxico: bradicardia, hipotensão arterial, sudorese, vômitos, náuseas, cólicas abdominais e distúrbios digestivos (diarreia). A vítima poderá falecer por insuficiência renal aguda. A diferenciação do envenenamento laquético do botrópico é relativamente mais difícil devido à semelhança entre os sintomas, caso a serpente causadora não tenha sido capturada e levada até o hospital. Entretanto, os sintomas relacionados com a ativação do sistema nervoso autônomo parassimpático (exclusivos do acidente laquético) seriam evidentes e precoces para diagnosticar e realizar o tratamento específico. Na dúvida deve-se utilizar o soro antibotropicolaquetico.

 

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA


 

Todas fotografias são de minha autoria (Paulo Sérgio Bernarde) Pictures by Paulo Sérgio Bernarde

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